sábado, 26 de junho de 2010

É.

Achei que veria anoitecer, mas quando cheguei, já era madrugada, e só fazia barulho o próprio silêncio -que quase me ensurdeceu- quando alguém me disse o que (mesmo sem bastar) escrevi como (per)verso.
Pouca era a roupa, muita era a vontade e, Irônico, foi o poemeto que li.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Compensação.

Desperto disperso no aperto do peito sufocando o sufoco, corro, não paro parto, parido na meia hora do dia, antes da noite cair cogito e ergo e sun.
Tangencio o limite do mensurável pondero o imponderável. Concluo: a primeira opção, não é uma opção.
Durmo aprendo o erro, acordo, descubro que fiquei louco... Ou que talvez já fosse antes.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mutatis mutandis.

"Mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa e de tempo".
(Ferreira Gullar)

Porres, guerras, vitríolo e fogo nas veias, no peito um bloco de mármore; um ano atrás eu havia decidido expor minhas idéias sem censura.

Um ano de Aborto Filosófico, nunca vi ressaca que durasse tanto!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Déjà vu...

Tudo tranquilo, e eu ao contrário de calmo... Como dizem por aí, o instante que antecede à queda, ou o silêncio que precede o esporro.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sacanagem...

Um pastor de ovelhas estava cuidando de seu rebanho, quando surgiu pelo inóspito caminho uma Pajero 4x4 toda equipada. Parou na frente do velhinho e desceu um cara de não mais que 30 anos, terno preto, camisa branca Hugo Boss, gravata italiana, sapatos moderníssimos bicolores, que disse:
- Senhor, se eu adivinhar quantas ovelhas o senhor tem, o senhor me dá uma?
- Sim, respondeu o velhinho meio desconfiado.
Então o cara volta pra Pajero, pega um notebook, se conecta, via celular, à internet, baixa uma base de dados, entra no site da NASA, identifica a área do rebanho por satélite, calcula a média histórica do tamanho de uma ovelha daquela raça, baixa uma tabela do Excel com execução de macros personalizadas, e depois de três horas, diz ao velho:
- O senhor tem 1.324 ovelhas, e quatro podem estar grávidas.

O velhinho admitiu que sim, estava certo, e como havia prometido, poderia levar a ovelha.
O cara pegou o bicho e carregou na sua Pajero.
Quando estava saindo, o velho perguntou:
- Desculpe, mas se eu adivinhar sua profissão, o senhor me devolve a ovelha?
Duvidando que acertasse, o cara concorda.
Em 30 segundos o velho diz:
- O senhor é advogado!?!?!
- Incrível! Como adivinhou?
- Quatro razões:
- Primeiro, pela frescura;
- Segundo, veio sem que eu o chamasse;
- Terceiro, me cobrou para dizer algo que já sei..
- E quarto, nota-se que não entende merda nenhuma do que está falando: devolve já o meu cachorro!!!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mas virá o dia em que...

"A verdade vai surgir
Nem alegria e nem tristeza
Será o dia do alívio

A missão é seu escudo
E a verdade sua espada"

(Forfun)

sábado, 15 de maio de 2010

"O que mais pode-se dizer?"

Tereza.

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sem "Agudez de Espírito"...

“Entrai vós que amais”...

Fui à diante, passei pela porta que se apresentava à minha frente, mas não sabia o que esperar dos cômodos e corredores que se abririam durante o trajeto. Podia sentir as correntes de ar que circulavam por ali (ou será que era frio na barriga?), não via o que passava pelo caminho, pois não havia luz no ambiente, eram as palavras sussurradas que me orientavam cada passo. Passei cômodo à cômodo, corredor pós corredor até chegar a uma imensa biblioteca aparentemente vazia, e que não era graças a um dicionário deixado quase sem-querer em um canto no meio da sala clara, que era redonda.
Olhei para o livro e pensei poder encontrar no étimo, respostas que ensejassem matar a sede de beber o gosto que até então, era desconhecido. Busquei em cada vernáculo um sentido que trouxesse a tona qualquer verdade mais que a minha, e das palavras de um professor, ouvi que melhor sorte tem os pobres de poesia, pois estes gozam com os olhos.

“Chorai vós que entrais”...

Escolhi labutar as palavras, e este não é menor labor do que aquele que constrói as estradas e edifica as cidades. Carrego tanto peso dos versos, quanto carregam os homens da estiva o peso do progresso. É ingrata a faina do versejar que -já disse- jamais encontra alívio... a palavra não pergunta nem perdoa, ela vem se quer e se arranca só, mas o faz quando apenas deseja.
É poeta aquele que aceita da palavra o pouco que ela oferece desse muito que ela tem a dar. E o poeta se perde em devaneios de lides incessantes, e noites que não acabam; fosse eu um Romântico, me acabaria em Absinto de anis e éter (ou cicuta), mas não antes da pneumonia, e só porque gosto mais da sublime explosão dos valores naturais, fico com o bucólico Árcade e sonho com campos e pastagens onde a brisa não se confunde ao frio na barriga.
Se o texto soa poético, é porque a vida própria dele assim deseja. Se entre fantasias vivem os poetas, eu quando sonho com cheiro de menina, acordo em meio à madrugada, e a palavra, é quem me beija.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fluxo...

Se o instante existe merece meu cantar, já dizia Cecília Meireles, e o que canto vem de mim, é o canto tudo o que tenho, todas as palavras que são minhas, e me deixam livres para serem o que quiserem em quem desejarem. Assim também vêm a mim, livres e de alguém para que em mim possam florescer.