quinta-feira, 11 de março de 2010

Só Nietzsche salva!

Enquanto vou noite à dentro, vejo as almas que denunciam seu fundo, abandono todos os imperativos, e cedo ao caos. As máximas que pelas leis da razão devem reger todas as coisas, agora darão lugar à "irracionalidade".
Das diversas escolhas que foram sendo feitas ao longo do tempo, a única exceção foi a maior estupidez, coisa que me faz pensar em quão maleáveis devemos ser. Agora acho que o mais sólido possível é o melhor. Trata-se de não querer achar a medida entre idealismo e oportunismo; a medida entre sustentar até o fim uma convicção ou, sacrificar princípios para acomodar-se às circunstâncias.
Tudo permanecerá assim, num profundo silêncio, que não será quebrado -não tão cedo- e nem será agonizante, graças ao fato de que, se eu decidir admirar alguém, devo antes ter a certeza de que esse alguém é tão admirável quanto eu... Mas certezas são efêmeras, e o que permanece é sempre a dúvida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Palhaço do Circo sem Futuro.

Tudo começou quando o filho morria de vergonha porque o pai era palhaço de um circo sem futuro...
Ele cresceu sem dizer onde o pai trabalhava pros amigos, sempre muito envergonhado, cresceu com a vida muito amargurada e se formou em outra coisa...
Um certo dia ele recebe a notícia que o pai está no leito de morte; ele corre lá, entra no quarto, tira a gravata, tira o paletó, se ajoelha e diz:
-Pai, me ensina a ser palhaço?
-Pai, me ensina a ser palhaço!?
-Pai, me ensina a ser palhaço!!

ISSO NÃO SE ENSINA SEU BOSTA!!!!


Cordel.

domingo, 7 de março de 2010

Tragédia Grega.

Acaso "prósopon" pode ser igual a "hypóstasis", ou "socos" serem usados como "coturnos"? Não meu caro, não se confundem os aspectos aos entes; nem podem Górgias ou Protágoras com sua areté sofística escamotear a verdade radical do que É, os atores descalçados de Sófocles os desmistificariam.
Não foram -como postulou Konder- os Dramaturgos Gregos que, mesmo antes do Racionalismo Cartesiano, da Psicanálise ou da própria Filosofia Existencial, debruçaram-se sobre as profundezas da alma-mente humana, seus desejos, paixões e anseios, enfim mergulharam em todo obscurantismo existente entre a ação e a real intenção? Sim foram esses que abandonando a "cosmogonia", voltaram-se a si mesmos como objeto de estudo e de perscrutação.
Com os atores descalços, as verdades nuas mostram seus -pavorosos- rostos de fome e medo juntamente com suas caras lavadas e o teatro que eu mesmo incendiei, continua à queimar: Assim encontra seu mereceido fim a tragicomédia.

sábado, 6 de março de 2010

Sexta-Feira = Dia do "Cachorro Louco".

O professor veado que não para de encher meu saco, o porre que nunca é suficiente, o trabalho que parece que não vai ficar pronto nunca, um pé-de-couve no meio da minha horta de rosas e um imbecil semi-analfabeto que parece ser mais esperto do que eu... Haja Nietzsche e Clapton pra dar conta dessa porra toda!

She don't lie, she don't lie, she don't lie...

A dicotomia do ódio...

Cega!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu sigo a Deus...

"Tu ires para o Céu ou Inferno é uma questão meramente vetorial, o problema é que para baixo todo santo ajuda."

http://twitter.com/OCriador

O homem que não via...

Não era cego, mas incapaz de enxergar além do vidro fosco posto a sua frente como um escudo, tampouco era surdo, mas incapaz de ouvir uma verdade plena, preferia se contentar com as doces ilusões que lhe insuflavam o ego.
Não sei ao certo se pretendia apenas alimentar sua vaidade, ou se fazia tais escolhas a fim de não se confrontar com a realidade das duras pedras que esfolam os joelhos de qualquer reles mortal no momento da queda, mas escolhendo seguir esse caminho, nunca conseguiu deixar de rastejar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Anti-Biografia.

Carlos Porfírio dos Santos Neto, cidadão brasileiro de naturalidade originária, nascido na capital mineira filho de Carlos e Maria. 168 cm é o tamanho do espaço que ocupo no mundo, embora as “Forças Armadas Brasileiras” aleguem ser de 171 cm a minha altura; 24 são os anos registrados em meus documentos de identificação.
Pessoa cheia de manias, maus hábitos e idealismos. Ríspido. Não tenho por costume, aceitar muitas intimidades, não gosto de ter muita gente por perto, e até poderia dizer de uma maneira quase Sartriniana ou Niilista, que “a verdade, é que eu odeio todo mundo, e todo mundo me odeia”, mas isso seria uma mentira cretina.
Alguém que sem prometer nada, pode dar a quem julgue merecer, todo o seu afeto -enquanto ele durar- com a mesma leveza de consciência com que ignoraria a presença de algum indesejado do seu lado, ou que te deixaria ficar em um determinado tempo sem jamais se preocupar em trazer de volta. Proprietário de uma memória -infame- que não esquece de nada, guardo minhas lembranças e coleciono muitas paixões.
Fulaninho que pensa em tudo quando fala, mas que em várias ocasiões, só pensa depois de falar, que não traz à público todas as suas idéias, não adoça verdades e nem as modifica, embora nem sempre as diga inteiras. Não me presto a despender atenção a qualquer um, mas antes escolho a dedo os que podem realmente tomar meu tempo, e a uns, cedo mais do que à outros.
Não sou imparcial, escolho um lado e não costumo ficar entre meios termos. Não sei ser “político”. Possuo a certeza de ser uma pessoa correta por nunca ter traído meus próprios princípios e valores éticos ou morais; não me agrada a idéia de ser correto de acordo com os valores e princípios de uma sociedade que julgo ser doente.

Fumante inveterado, beberrão, desaforado, o prazer que me satisfaz é a transgressão.

terça-feira, 2 de março de 2010

Supressão.

Eu guardo as palavras, economizo o verbo e me faço omisso. O sujeito é escamoteado, a intenção permanece tácita e o vernáculo que passa despercebido é o único que deveria estar grafado em caixa-alta e destacado como radical do texto. Ainda posso soltar as tais "quatro palavras de uso corriqueiro e pouca expressividade", mas hoje me convém ser omisso...

"Alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho"...

Virei-me com um olhar terno àquele rosto que me fitava, e com um sorriso límpido, quase cínico, mandei ir a merda...
Não sou nenhum douto, nem tampouco estou entre os melhores redatores ou os mais sapientes pensadores, mas jamais me arriscaria a dizer algo que não tivesse sido muito bem estudado e cogitado antes de ser declarado. Se disse o que disse, foi por que naquele momento era verdade; se fiz o que fiz, foi por que acreditei que alcançaria o resultado que esperava...

Então que se foda, eu não faltei à verdade com ninguém!