quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um último pedido para 2010.


Discurso pernicioso carregado de subjetividade e talvez alguma influência das filosofias Helênicas.

Boca suja boca podre
Boca pobre boca boa
Boca limpa minha boca
Sua boca meu desejo
Nossas bocas
Minha perdição

O prazer que começa pela boca
boca de língua quente
língua de fio aguçado que me rasga o verbo
O gesto que cortado não chega a ser ação

O Beijo santo osculo das línguas afiadas
dizendo coisas caladas
Doces sacanagens
Obscenidade acesa no fulgor do corpo -que queima.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

E foi...

Passam-se os anos para à eternidade, como passam as horas para um dia, 2009 amanhã não será nada além do que uma vaga lembrança dos sonhos construídos, reciclados, concretizados e, outros abandonados, para que 2010 seja o presente e, para que sejam construídos, reciclados, concretizados e abandonados novos sonhos maiores do que esses de agora...
Um ano bom está acabando agora para que um melhor possa começar daqui a pouco, tudo acontece assim, começando, acabando e recomeçando, para dar continuidade a esse ciclo infinito de transformações à que somos submetidos...

Então um bom ano a quem desejar construí-lo; Todos os dias ainda são bons!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Então é Natal...

O desenredo contextual de um caso dissimulado por conveniência do autor...

Toda história precisa de um contexto para acontecer, dentro desse contexto estão incluídos o cenário e, a atmosfera no qual se desenrola o enredo.
Nessa história o cenário se limitou à uma janela aberta, a atmosfera foi a mais impessoal possível, o contexto era de um interessado falando para alguém que não se importava e, o desenrolar do enredo, nenhum que prestasse...
Farpas trocadas, frases mal escritas, palavras muito mal interpretadas e, alguma coisa que sempre ficava para trás ou, por dizer. A atmosfera gerada pelo cenário decadente, permitia omitir coisas tão relevantes quanto os olhos marejados de quem rasgava o orgulho, os pré-conceitos e, o próprio peito, tanto quanto permitiu que o outro se omitisse, fingisse nunca ter acontecido -o que acontece na janela, fica na janela. Vez ou outra saiam notas e pequenos textos de um para o outro, publicados em seus respectivos pasquins de baixa circulação.
Ao que as aparências mostravam, não havia nada que os ligasse além de uma declarada paixão pelas palavras, presunção verossímil devo concordar, mas que não impedia a um de cogitar como os dois seria bom, idéia não partilhada pela outra parte; infelizmente para quem pensou que "um dia, talvez". Quando ele, o interessado, que por não saber sentir pela metade, se permitia não sentir nada e, pragmatizar todas as coisas foi tomado por uma coisa que, embora conhecesse, não soubesse lidar, perdeu-se dentro de suas próprias contradições vendo suas crenças caírem por terra, "como pode isso, sou inatingível!?!", o homem pensou guardando aquilo como um grito mudo, ele que outrora havia se envaidecido por sua frieza e, razão, viu-se refém de algo que não podia explicar -coisa rara e constrangedora para quem buscava ter todas as respostas sem se afetar.
Deu pois à conhecer tudo aquilo que havia surgido furtivamente e, que ele carregava sem conseguir fardo mais leve, ninguém se importou, a janela se fechou e, o homem escreveu... Nada mais houve.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Escrita.

es.cre.ver
v. 1. Intr. Representar por meio de caracteres ou sinais gráficos. 2. Tr. dir. Exprimir-se por escrito em. 3. Tr. dir. Copiar. 4. Tr. dir. Compor ou redigir um trabalho literário ou científico. 5. Tr. dir. Dirigir carta a alguém. 6. Pron. Cartear-se, corresponder-se. 7. Tr. dir. Fixar, gravar.

(Dicionário Michaelis)

Escrever é um processo que envolve diversas variáveis relacionadas ao seu interlocutor, bem como aos agentes receptivos do texto, mensagem etc.
Essas variáveis podem ser de caráter endógeno (interior), ou de caráter exógeno (externo) à pessoa que escreve; para que uma pessoa consiga escrever, é necessário que ela primeiro tenha uma idéia, depois que ela tenha vontade e saiba como materializar isso na forma de palavras, sendo esta última, menos importante.
Após ter a idéia e a vontade, a medida que o texto vai sendo escrito, ele próprio passa a se conduzir, não devendo o autor querer limitar ou dar ao texto uma conotação que vá em conformidade a suas crenças e conceitos pré-estabelecidos, é quase como se texto adquirisse vida própria e se pusesse a transmitir não o que o autor pretendia, mas o que ele próprio decidiu revelar entre suas linhas e, palavras escamoteadas ou não.
O texto escrito, não exprime somente aquilo que o autor previu, mas antes, pode revelar diversos sentidos ocultos de acordo com a subjetividade do receptor, existem correntes da Hermenêutica, que defendem que após ser escrito, o texto, não passa nem aquilo que pretendia o autor, nem aquilo que desejava o leitor, mas que por ter vida própria fala por si só, não sei dizer ao certo se isso corresponde à verdade, mas quem nunca teve um texto irremediavelmente mal interpretado... Considero válidas as questões concernentes à subjetividade, o indivíduo ao ler o texto aplica nesse, sua visão de mundo e da realidade das coisas.
Mas considero desnecessário falar de quem vai ou não ler agora, o importante aqui é dar ênfase a liberdade que se deve ter para escrever. Escrever significa acima de todas as coisas, trazer à tona pequenas parcelas do que o indivíduo é, seus sentimentos, suas vontades, medos e indignações, fazer um catado de muita impressões e torna-las materiais, corpóreas.
O grande prazer da escrita, é que ao materializar suas idéias e pensamentos, ninguém tem a capacidade de te impedir ou censurar -a censura no Brasil é Inconstitucional- além de você mesmo desde que sejam obedecidos os critérios de vedação ao anonimato e, respeitados os limites da privada da vida alheia, opa, os limites da vida privada alheia, que caso não sejam respeitados, existe o remédio do direito de resposta proporcional ao agravo (por isso a necessidade de identificação quando for falar mal de alguém), no mais, eu falo o que eu quiser, escrevo o que eu quiser e que se foda o blog é meu e, a responsabilidade também é minha.

Fora isso, divirtam-se, eu fui dormir!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Da terrinha...

Meias Verdades...

"Certa vez, conceituei ser sincero, como "falar a verdade até quando está mentindo", haja vista que esse é um dos fundamentos da verossimilhança (sofisma), princípio muito utilizado por Operadores do Direito em geral bem como por muitos aspiras ao mesmo".

Achar esse pequeno fragmento de um texto mais antigo foi bem conveniente agora, levando em conta que ainda a pouco, eu avaliava as teses Gorginianas e, considerava as diferenças entre falar e pensar, bem como entre pensar e ser.
De fato pensar e falar são coisas absolutamente diferentes e, que nem sempre se correspondem, é como dizer que se tem "quatro olhos"; em Górgias, se você conseguir convencer aos outros de que realmente tem quatro olhos, isso será uma verdade, haja vista que para Górgias -que era um sofista- não existia uma verdade concreta, e se existisse, não poderia ser passada. Esse relativismo permitia a Górgias desenvolver diversos tipos de raciocínios capciosos utilizando os vários sentidos de uma mesma palavra para dizer coisas diferentes a fim de convencer e manipular a outrem; pelo postulado do supracitado autor, a existência dos quatro olhos, poderia ser justificada pelo uso de óculos, por exemplo, e isso seria uma verdade.
Então entre ser sincero ou verossímil, cabe a cada um escolher, se prefere se justificar com meias verdades, ou se prefere lidar com a realidade dos fatos, falar a verdade e não precisar se justificar, já que em minha concepção pessoal, a verdade se auto explica ou no mínimo dispensa explicações.

Pensar e Ser, é o mesmo!?

Em Parmênides sim, mas como ele resolveria o problema das pessoas que agem sem pensar? Talvez dissesse apenas que elas não são, pois Ser, Pensar e Falar, é o mesmo e, sobre o que não é, não se pode pensar ou falar...
Já Górgias refuta a tese de Parmênides dizendo que se o Não Ser existe, ele deve ser alguma coisa, haja vista que o nada de fato existe e é alguma coisa, então também o Não Ser seria algo.
Enquanto Parmênides usa o sentido literal da palavra Ser para designar um "Ente", a essência das coisas, Górgias a usa dentro da pluralidade de sentidos que essa possui, servido tanto para qualificar um "Ente", quanto para definir a relação entre sujeito e objeto.
Para Górgias, Pensar, Falar e Ser, são coisas diferentes logo, sustenta que podemos pensar e falar coisas que não são, e estas coisas não definem a essência do "Ente", ou seja, pensar e falar, não refletem a realidade do que é o Ser. Mas em Parmênides, vemos que "o Ser é, portanto não pode Não Ser", defendendo com isso uma unidade entre sujeito e objeto, não havendo outra relação entre esses senão uma que seja simbiótica, onde quando um deixa e existir, também o outro se perde.

De fato posso considerar ambos como corretos, levando em conta que nem sempre falamos ou fazemos o que realmente pensamos, como foi postulado por Górgias, mas que o que realmente nos define, são as atitudes que tomamos frente as várias situações à que somos submetidos, como considerou Parmênides citando sua busca pelo "Coração Inabalável da Verdade Bem Redonda".
Portanto cabe a cada um definir pra onde e, por onde vai.

http://www.youtube.com/watch?v=ENJh1_xzx6c

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Vai, vai, vai!

Eu venho e vou à todo tempo, mas nunca me contento em parar; Corro com o tempo, hora a favor, hora contra... Corro para me resolver, corro para me omitir, corro pra mim e de mim... Talvez esteja na hora de parar e pensar se eu tenho corrido certo, ou atravessado na contramão...

http://www.youtube.com/watch?v=lAERY215O6k